Quinta-feira, 22 de Setembro de 2011

Análise à 4ª temporada de True Blood (Parte 2) - Bruxas

 

This is not possession, this is union!

Esta temporada foi apelidada pelo Alan Ball como The season of the witch! Esta história prometia muito mas fico com a sensação que, como muitas outras este ano, se perdeu ligeiramente pelo caminho e as expectativas elevadas não foram correspondidas. A temporada começou dando-nos a conhecer Marnie Stonebrook, uma simpática wiccan com uma loja de magia em Shreveport, local onde o seu conventículo, do qual o Jesus e a Holly faziam parte, se reunia. A personagem aparentava uma grande fragilidade e a ressurreição do pássaro Minerva mostrou que os planos da Marnie iam muito além de meros contactos com espíritos: necromancia era o seu principal objectivo. E o feitiço que ela lançou sobre o Eric, com o precioso auxílio de Antonia Gavilán de Logroño, uma bruxa espanhola do séc. XVII, foi apenas o início de uma série de ataques aos vampiros.

A união destas duas mulheres, com os seus passados devidamente explicados, funcionou bem na primeira metade da temporada e, acima de tudo, deixou os espectadores com muitas dúvidas relativamente à verdadeira natureza desta espécie sobrenatural. Nada nesta história era simples, preto no branco, bem ou mal. Alguém conseguiu dizer que não entendia as razões para estas mulheres se revoltarem contra o mundo? Eram razões válidas, sem dúvida nenhuma. Os meios que utilizaram para se vingar não foram os mais ortodoxos mas, no fundo, sentimos uma ligeira compaixão e compreensão por estas duas mulheres. E eu gosto de histórias assim, que me fazem pensar nos seus verdadeiros propósitos, que me obrigam a discutir o seu desenvolvimento, que me fazem duvidar desta dicotomia bem/mal e, até um certo ponto, isto funcionou e foi um enredo bastante agradável de se seguir. O feitiço para os vampiros se exporem ao sol, a guerra no cemitério de Bon Temps e o confronto no Festival da Tolerância proporcionaram grandes cenas de acção como nunca tínhamos visto nesta série. Até a decisão da Antonia em querer abandonar a missão, após o banho de sangue no Festival, e a consequente manipulação da Marnie para que ela não a abandonasse, surtiu bons efeitos e consolidou o papel dominante da Marnie nesta união das duas bruxas. No entanto, este enredo começou a perder força com as justificações constantes para as razões da vingança, o pouco entendimento das duas bruxas relativamente ao objectivo da missão e a perda de fé do conventículo na Marnie e, de um momento para o outro, a Marnie/Antonia viu-se sozinha nesta luta que, para ser sincera, nunca deveria ter envolvido mais ninguém. E a decisão de aprisionar o espírito da Antonia no corpo da Marnie primeiro, e o espírito desta última no corpo do Lafayette na recta final, fazendo a Marnie a verdadeira vilã desta temporada, tinha tudo para dar certo mas os argumentistas não souberam tirar partido desta oportunidade, o que é uma pena. A forma como a Marnie foi derrotada na season finale foi completamente ridícula e, no mínimo, anti-climática! A personagem, que tinha sido bem construída até aquele momento como a verdadeira vilã, acabou derrotada como se de uma wiccan amadora se tratasse e num plano repentino e sem coerência alguma.

Outro dos motivos para o insucesso desta história está no grupo de wiccans que acompanhou a Marnie desde o início. Aliás, se pensar bem na forma como eles foram recrutados, consigo perceber de imediato que era exactamente por eles que a corda iria quebrar. E o pior é que fica também a sensação que a Marnie/Antonia teria conseguido os mesmos resultados ou até melhores se tivesse actuado desde o início sozinha. A única personagem que merece um pouco de consideração é o Roy, com as suas tiradas cómicas, a sua devoção a uma causa que nem ele conseguia perceber e por nos ter proporcionado uma das melhores cenas em quatro temporadas.

 

I can run away and hide or I can hold my ground and stand up for myself.

A Tara começou muito bem esta temporada. Mudou-se para New Orleans, adoptou um novo nome e parecia mais feliz do que alguma vez a vimos na série! Com a revelação que a Sookie estava viva, voltou para Bon Temps e a verdade é que a história dela era promissora. A tensão que existia entre ela e a Pam era palpável e o envolvimento no enredo das bruxas pareceu natural e fluiu bem e, durante alguns episódios, parecia que teríamos uma espécie de Tara, Caçadora de Vampiros em Bon Temps! Isto sim seria uma  boa decisão criativa: a Tara tinha motivos para odiar os vampiros e seria curioso ver esta nova faceta de uma personagem geralmente pouco cativante e cujo desenvolvimento estava a ser interessante de seguir nesta temporada. Além disso, estando a Sookie do lado completamente oposto desta luta, a tensão entre as duas, não sendo algo propriamente novo na série, seria levada a um novo nível e quem sabe se não teríamos um ponto final nesta amizade (à imagem do que aconteceu com a Arlene e a Sookie nos livros). Como em muitas coisas nesta temporada, esta história ficou-se pelas intenções, uma vez que foi mal desenvolvida. Em Spellbound, ela afirmou a sua posição ao lado da Marnie/Antonia mas em Let's get out of here, começou a desacreditar na bruxa e revoltou-se contra ela. Esta inconstância na caracterização, não só da Tara mas dos restantes elementos wiccan, foi um dos problemas nesta temporada. Ora num momento, eles estão todos do lado da Marnie/Antonia e querem exterminar os vampiros, como no momento seguinte já não querem fazer parte daquela vingança porque não sabiam naquilo em que se estavam a meter. Em que ficamos?

O destaque dado a esta personagem, na segunda metade da temporada, não foi tão grande e fiquei sempre à espera que algo mais lhe acontecesse mas tive que esperar pelo episódio final. E valeu a pena! O seu sacrifício pela vida da Sookie, que ela considera mais que amiga, está dentro daquilo que conhecemos da personagem, mas não deixou de ser uma surpresa pelo impacto que uma decisão destas tem na série. A Tara não morreu é verdade mas nunca regressará como humana, isso é certo. Preferia que tivessem tido a coragem de acabar com a personagem, uma vez que de sobrenaturais está esta série repleta, mas cá estarei para ver como vão desenvolver esta história na 5ª temporada. De que forma regressará a Tara? Vampira? Espírito, fantasma? E de que forma a sua “vida” mudará após os acontecimentos desta season finale? Se regressar vampira, quem a transformará? O meu voto vai para a Pam!

É completamente legítimo o pânico que se instalou na Tara após ser aprisionada pela Marnie/Antonia na loja dado o seu passado de abuso e desta situação resultou uma aliança curiosa entre ela e a Holly. Gostei do destaque que deram à Holly nesta temporada, ela foi introduzida o ano passado para nos envolver na religião Wicca e cumpriu o seu papel. Não entendo é a necessidade de lhe arranjar um par amoroso. Aquele primeiro encontro com o Andy foi hilariante, principalmente quando ele decidiu ir embora e levar as flores que lhe tinha trazido, mas, simplesmente, não é um desenvolvimento que me desperte curiosidade ou que me dê vontade de assistir… Teremos mesmo um romance à vista para Holly? E qual o destaque que esta personagem terá na 5ª temporada relativamente à sua magia? Ou não voltará a ser referida a ligação da Holly à religião Wicca?

 

Can we go back to how I am a medium?

Quem diria que aquele Lafayette da 1ª temporada seria um médium e que o Jesus seria a grande figura da guerra das bruxas? Eu não o diria de certeza… A 3ª temporada deixou no ar muitas questões quanto à natureza do Lafayette e She’s not there, além de confirmar o poder desta personagem, deu-nos uma pequena amostra do que ele poderia ser capaz. Passou um ano desde que o Lafayette começou a ter visões de espíritos mas foi algo que ele conseguiu controlar, uma vez que há dez meses que ele não tinha uma visão, e este era um mundo do qual ele se queria manter afastado, mesmo com as constantes insistências do Jesus. Aliás, o Jesus foi o grande impulsionador da revelação das capacidades do Lafayette, levando-o a aceitar este lado da sua natureza, convencendo-o a ir às reuniões do conventículo da Marnie e levando-o ao México para conhecer o avô. Embora reconheça a mais valia de terem viajado até ao México, acredito que os argumentistas poderiam ter optado por mil e uma formas diferentes de revelar que o Lafayette era médium sem precisar de mover estas personagens de Bon Temps (eu nem vou falar da improbabilidade desta viagem no que diz respeito ao tempo em que decorreu porque foi apenas um dos vários erros de continuidade nesta série). O mesmo se aplica a toda a história que envolveu o Lafayette a ser possuído pela Mavis e o papel do Jesus no exorcismo. Aliás, esta parte do enredo foi do mais fraco que vimos em quatro temporadas e baixou bastante o nível do episódio Let's get out of here. Salva-se a grande performance do Nelsan Ellis, tanto nesta possessão pela Mavis como mais tarde na possessão pela Marnie.

A morte do Jesus, embora inesperada, tem lógica: ele foi uma personagem introduzida na 3ª temporada para nos dar a conhecer a espécie sobrenatural em destaque este ano e para desenvolver a personagem do Lafayette. O objectivo foi cumprido; qual seria o papel dele daqui para a frente? Apenas o namorado do Lafayette? Seria injusto dada a sua importância nesta temporada e a opção de o matar parece-me inteligente. Se o mesmo acontecesse à Holly, que teve exactamente o mesmo percurso, fechávamos com chave de ouro o enredo desta temporada! Qual será o impacto da sua morte no Lafayette? E será que, sendo o Lafayette um médium e o Jesus um fantasma, os voltaremos a ver juntos? E já agora, se o Lafayette estava em casa da Sookie aquando do ataque da Debbie, terá ele ouvido os tiros e os gritos da Sookie? Porque razão não desceu as escadas alertado pelo barulho? E mais, terá ele algum papel na possível salvação da Tara?

Os poderes que o Jesus demonstrou possuir foram a chave para a derrota da Marnie/Antonia e quero saber se ficaram no corpo do Lafayette ou no espírito da Marnie. Se ficaram no espírito da Marnie toda esta história dos demónios acaba por aqui, mas se, por outro lado, ficaram no corpo do Lafayette, como irá ele lidar com estes novos poderes? Ou será outro enredo que nunca mais será abordado?

 

Decapitating Barbie dolls. What the hell kind of baby does that?

Toda esta abordagem a um possível “evil baby” tinha potencial, já tínhamos visto o Rene o ano passado a dizer a Arlene que o bebé era como ele (numa projecção dos verdadeiros medos dela) e este ano as cartas estavam lançadas para um enredo envolvendo o Mikey, o bebé mais fofo a aparecer numa série da HBO! A temporada começou com pequenas dicas sobre o que poderíamos esperar desta história verdadeiramente assustadora (!!) como as cabeças das Barbies arrancadas dos corpos, a frase “Baby not yours” escrita na parede, o vaso sanguíneo da Arlene rebentado e o aparecimento daquela boneca nojenta (aliás, que ideia foi a da Jessica de dar a boneca ao bebé?). Mas foi com o incêndio que começámos a ter uma ideia mais clara do papel que esta história realmente teria no cômputo geral da temporada com o aparecimento da misteriosa Mavis. Este enredo manteve-me ligeiramente interessada até ao aparecimento do espírito, uma vez que a Arlene é uma personagem tão neurótica que não era de estranhar que isto tudo seria apenas a sua imaginação a exagerar uma situação normal. Fiquei desiludida com o caminho que decidiram tomar ao mostrarem-nos o flashback, em Spellbound, que serviu para explicar porque razão a Mavis não largava o Mikey, e muito mais ainda com a possessão do corpo do Lafayette e o rapto do bebé. Toda esta história nunca mais será referida sequer no decurso da série e todo o tempo dedicado a algo tão absurdo é tempo que teria sido muito melhor investido no desenvolvimento de outras histórias. A única cena que saliento deste enredo é a cena do exorcismo pelo Reverend Daniels e pela Lettie Mae pela parte cómica que envolveu todos os personagens.

Na season finale ficamos a conhecer um ex-companheiro de guerra do Terry, Patrick Devins, que terá um papel preponderante na próxima temporada. A sua chegada ao Merlotte’s veio carregada de mistério. Quem é esta personagem? Qual o seu passado com o Terry? E aquelas palavras do Rene, quando apareceu à Arlene, “he’s bringing trouble of the worst kind”, o que significam?

 

Próxima análise: (Parte 3) - Vampiros

Categorias:

publicado por bexitah às 23:10
link do post | Dê a Sua Dentada | favorito
| | Partilhar
5 Dentada:
De Mariana a 23 de Setembro de 2011 às 11:38
pois e o Lafayette estava tambem na casa da sookie... Eu acho que o bill e o eric sentiram o medo da sookie e depois vao ter com ela nao sei... 9 meses why!?!? Porque e que eles fazem isto connosco???


De WhiteLady3 a 23 de Setembro de 2011 às 12:21
Pareceu-me que toda a história da Mavis tinha como único propósito desenvolver a personagem do Lafayette para a parte final da série, para dotá-lo de armas (uma delas o Jesus) e ser possuído pela Marnie.


De resto concordo com tudo e não fazia a mais pequena ideia de que a Tara ia voltar. Não sei o que pensar sobre isso. :/


De bexitah a 23 de Setembro de 2011 às 13:53
Sim, foi mesmo para isso que serviu toda esta história da Mavis e do exorcismo mas acho que eles poderiam ter mostrado isto de outra forma, pelo menos com mais qualidade, não sei... Se não conhecesse a série e me mostrassem apenas este episódio, provavelmente, não teria vontade de a ver, esta história teve muito de Ghost whisperer ;D


De WhiteLady3 a 23 de Setembro de 2011 às 14:13
Lembrei-me exactamente do mesmo! Até falaram na luz! Pensei logo "onde anda a Jennifer?" xD


De andreia a 5 de Outubro de 2011 às 00:08
eu acho que eles mataram Jesus para mais tarde fazerem uma relação amorosa entre Claude/Lafayette


Comentar post

Email
Follow Me!

pesquisar neste blog

 

Últ. comentários

alguem pf tem o 13} em pdf e em port. eu preciso '...
Eu ainda vou a menos de meio dos livros e por isso...
canada goose image zen-o central park
Eu, simplesmente, deixei de criar expectativas com...
Quais são as vossas expectativas, pessoal do blogu...

Categorias

1 temporada(19)

1 vol. - sangue fresco(13)

10 vol. - segredos de sangue(7)

11 vol. - sangue ardente(3)

12 vol. - sangue impetuoso(2)

2 temporada(31)

2 vol. - dívida de sangue(13)

3 temporada(160)

3 vol. - clube de sangue(14)

4 temporada(154)

4 vol. - sangue oculto(17)

5 temporada(119)

5 vol. - sangue furtivo(6)

6 temporada(46)

6 vol. - traição de sangue(10)

7 temporada(25)

7 vol. - sangue felino(24)

8 vol. - laços de sangue(8)

9 vol. - sangue mortífero(6)

charlaine harris(91)

comic con 2009(4)

comic con 2010(6)

comic con 2011(3)

comic con 2012(6)

comic con 2013(1)

comic con 2014(2)

contos - um toque de sangue(4)

correio(7)

crónicas sf(10)

elenco(84)

fanart(31)

fanfic colaborativa(1)

fãs(83)

guia(2)

merchandising(7)

mini-episódios(13)

mov(6)

notícias(134)

opinião(31)

passatempo(62)

personagem(10)

prémios(8)

promoção(4)

rtp1(6)

s05e01(2)

sábado fangtástico(18)

série de tv(39)

the sookie stackhouse companion(1)

universo sf(23)

todas as tags

Arquivos

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Sangue Fresco on Facebook

Visitantes: