Sábado, 25 de Setembro de 2010

Vítor Caixeiro (Sem título)

Como uma enorme bola de pingue-pongue, a lua brilhava intensamente naquela noite. Os meus passos eram marcados pelo barulho que as pedras faziam ao serem arrastadas. Atordoada por mais uma noite de árduo trabalho, a minha cabeça estava vazia. Há horas que não me conseguia sentir daquela forma, sem ouvir constantemente as ideias dos outros. Era a única vantagem de vaguear sozinha pela rua, à noite.

Conseguia pressentir a presença de certos seres. Ratos, corujas, lobos e talvez alguns humanos drogados. Nada que me pudesse magoar. Nada que me causasse dor, não uma dor igual à que há senti sete dias atrás.

As árvores encobriam toda a escuridão e solidão que se vivia naquele momento. Protegiam-me daquele holofote que é a lua. Não queria chegar tarde a casa, todavia o meu instinto forçou-me a abrandar e a parar por momentos naquele abrigo. A minha mente não estava tão apta como outrora para escutar pensamentos. Nem os meus próprios pensamentos eram nítidos. Desde que o Bill me deixou, essa minha sensibilidade abalou com ele. Como se uma parte de mim estivesse presa no seu corpo, na sua alma. A minha vida desabou no momento da sua dolorosa partida. Porque não podemos viver felizes eternamente? Porque há obstáculos nesta injusta e cruel vida? Não poderíamos simplesmente ter a nossa felicidade sem pedir nada em troca? A pura verdade é que tudo neste mundo tem um custo. Mas eu não estava preparada para o pagar. Não quando o pagamento se resume a despedaçar pelo menos um coração.

Nesta tempestade de considerações, algo me interrompe. Inesperadamente, sinto um peso enorme na minha nuca. Foi-se tornando mais leve, a cada instante, até que desapareceu por completo e caiu em frente aos meus olhos. Era uma maçã, madura o suficiente para ser trincada. Não quis que fosse pecado, mas já que o meu mundo é constituído deles, resolvi saboreá-la. Era bastante doce. O desejo crescia amargamente na minha garganta. Percebi porque lhe chamavam o “fruto proibido”. A tentação pode ser traiçoeira, e saciá-la parecia ser incontornável. Senti o meu cérebro às voltas. Era uma sensação esquisita, ainda assim confortável e nostálgica. Isto porque, subitamente, a minha mente decifrou palavras como não fazia desde aquele dia. Levantei-me com um pulo e fiquei atenta. Tudo era claro novamente.

Algo estava lá. Algo especial que a minha mente recordou. A esperança invadia-me o espírito. Era Bill. Ele tinha voltado para mim. Olho para cima e vejo-o o agarrado aos ramos que suportavam o seu peso. Mesmo com toda aquela escuridão, era evidente a sua presença ali. A face pálida e os olhos incandescentes estavam virados para mim. Pedi que descesse, e ele assim o fez. Conseguia ouvir as suas infinitas questões ainda não definidas para serem questionadas, mas é então que ele me diz:

- Sookie, eu amo-te. Não peço que me desculpes porque isso é pedir o universo sem ter razão. Fui um tolo. Tentei proteger-te, mas não percebi que ao fazê-lo estava a causar-te sofrimento. A minha atitude egoísta deixou-te vulnerável. Sempre pensei que o nosso amor era impossível, e quando parti sem sequer me despedir foi com intenção. Queria que me odiasses para eu não aparecer mais na tua vida. Se continuasse contigo, tu implorarias que te transformasse e eu não aguentaria. Não! Não te iria destruir! Não te queria dar esta vida, se assim se pode chamar. Mas assim que fiquei só, percebi que estávamos destinados a ficar juntos, acontecesse o que acontecesse. Minha Sookie, amo-te e sempre te amarei.

Tentei dizer-lhe que também o amava, que o queria e que o desculpava por tudo, contudo ele prosseguiu:

- Não digas nada, meu amor. Não consigo ler pensamentos como tu mas não preciso dessa aptidão para perceber que estás furiosa comigo. Só peço que algum dia me aceites de volta nem que seja como amigo, porque a minha vida sem ti é um poço sem fundo.

Realmente estava a deixar-me furiosa. Não aguentava mais aquelas palavras que me julgavam como insensível. Agarrei-me a ele e beijei-o sofregamente. Os seus lábios emanavam um calor como nunca tinham emanado. Os seus braços agarraram-me e levaram-me para a colina mais alta da cidade. Ali, ficámos presos pela noite fora, concebendo um futuro melhor para as nossas vidas, enquanto o presente nos oferece uma felicidade sem limite.

 

Este texto faz parte do passatempo Sangue Felino


publicado por sangue-fresco às 13:27
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